Além do futebol



O Fortaleza não anda lá muito bem, mas não poderia estar melhor representado nas telas. O documentário em curta-metragem "Loucos de futebol", do diretor cearense Halder Gomes, registra 23 minutos da torcida do Fortaleza, time do coração de Gomes.

Até aí, nada de diferente ao que muita gente já fez, mas, assim como um craque bate diferente na bola, o talento de Halder Gomes se sobressai dando uma visão única do ato de torcer, sob a ótica do povo cearense, também talentoso por natureza.

A câmera de Halder começa com planos gerais e aéreos do Castelão, apresentando a grandeza do estádio ao espectador. Aos poucos, porém, Halder passa a focalizar o torcedor (in)comum, artigo fácil entre o povão do Fortaleza. Cada depoimento é uma pérola, graças aos personagens bem escolhidos por Halder, que aparece em vários momentos na arquibancada, sofrendo pelo time.

O filme mostra alguns planos impressionantes do Castelão tomado de gente. Parece o Maracanã. Parece o Canal 100 mostrando a torcida, mas com mais sensibilidade. Há um momento, coisa de cineasta habilidoso, em que Halder baixa o som ambiente e filma o rosto dos torcedores durante o jogo apenas com uma trilha incidental ao fundo. As expressões de alegria e sofrimento entram e saem de foco na hora certa, mostrando o drama pessoal de cada torcedor naquele momento. Nunca vi a essência do futebol - o microcosmo de que se compõe cada partida - tão bem retratado. É mais ou menos que Philip Parreno e Douglas Gordon fizeram com Zidane no filme "Zidane, um retrato do século XXI". Só que Halder guardou tal distinção para o torcedor comum.

É bom falar aqui um pouco sobre Halder Gomes. Professor de artes marciais, com R$ 150 mil reais rodou o filme "Sunland Heat", filmado parte em Los Angeles e parte no Ceará contando com a ajuda de atores que conheceu quando foi dublê em Hollywood. Sem ajuda do governo. Vendeu o filme para vários países e ano passado foi convidado, com um orçamento de US$ 1 milhão, a rodar "The Morgue", filme de terror com gente como Bill Cobbs e Heather Donahue, atriz principal de "A Bruxa de Blair".

Torcedor do Fortaleza, teve um primo morto no Rio de Janeiro pela torcida organizada do Botafogo, em uma emboscada. É para ele que Halder dedica o filme.
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Papai bate um bolão



Desde 'Fuga para a vitória' que os americanos não faziam um filme tão idiota e engraçado sobre futebol. 'Kicking & screaming' é o título original de 'Papai bate um bolão', filme que traz Will Ferrell e Robert Duvall nos papéis principais.

Produzido por Judd Appatow, atualmente considerado um gênio em Hollywood por causa de filmes como 'O virgem de 40 anos' e 'Ligeiramente grávidos', o filme traz todas as piadas imbecis que os americanos podem fazer sobre o soccer. Claro, graças a Will Ferrell, a maior parte delas funciona.

Sempre considerado um loser por seu pai (Robert Duvall), Ferrell acaba virando o treinador dos Tigers, que vem a ser o time de futebol da piazada do bairro. Ele ganha ajuda de Mike Ditka, famoso nos Estados Unidos por ser ídolo de algum esporte jogado com uma bola não redonda ou com as mãos. Espertamente, Ditka recruta dois garotos italianos para o time, que finalmente passa a vencer. O lema do time se torna "passe para os italianos".

Aí vem aquelas cenas de futebol tipicamente feitas por americanos, com todo tipo de sortilégio malabarístico nas jogadas, como bicicletas e embaixadinhas, ou traquinagens à la Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgino Mufumbo. São, evidentemente, as melhores partes do filme.

Conforme os Tigers de Ferrell avançam, eles ficam mais perto da final contra os Gladiators, do personagem de Duvall. Nesta parte o filme chega ao ápice, com Ferrell perdendo o psicológico. A cena da preleção do jogo semifinal é absurdamente boa, com Ferrel mostrando o lado Grêmio-RS de jogar futebol, orientando a molecada a dar carrinho por trás na altura do joelho, quebrar a clavícula e outras jogadas filosoficamente pertencentes à escola gaúcha do ludopédio.

É claro que rola uma mensagem final ao estilo He-Man sobre vencedores e perdedores, mas nada que abale o resultado de uma película de tão boa qualidade. Destaque ainda para a cena em flashback na qual Pelé, durante jogo no Cosmos, chuta na arquibancada.

Site oficial e trailer do filme
Mais Will Ferrel aqui
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Elixir da imortalidade

Hoje é dia do alvi-rubro Carlos Renato, diretor de “Batalha dos Aflitos 2 – a volta por cima”, entrevistar o gremista Beto Souza, diretor de “Inacreditável – a batalha dos Aflitos”, finalizando a série iniciada com Beto fazendo perguntas a Carlos Renato.

Hoje também é dia da finalíssima da Libertadores, entre Grêmio e Boca, em Porto Alegre. Mais uma vez a capacidade de superação do Grêmio será testada, já que precisa de uma vitória por pelo menos três gols de diferença para levar o jogo para os pênaltis ou quatro para se sagrar tricampeão da América.

Como o gremista Jorge Furtado disse, a história de “A batalha dos Aflitos” daria um péssimo roteiro de ficção. Hoje é dia do Grêmio escrever mais um péssimo roteiro e um brilhante capítulo de sua história.


Carlos Renato (diretor de “Batalha dos Aflitos 2 – a volta por cima”) - Beto, primeiro gostaria de saber quais as maiores dificuldades que você enfrentou para fazer o seu filme?

Beto Souza (diretor de “Inacreditável – a batalha dos Aflitos”) - Em primeiro lugar devo esclarecer que não fui o produtor do “Inacreditável”. O documentário foi produzido pelo Gustavo Ioschpe em parceria com a TGD filmes de Porto Alegre. Isso, de cara, já torna o produto diferenciado da grande maioria das produções audiovisuais independentes do país, que são realizadas a partir das leis de incentivo e o diretor também está envolvido com a produção. Portanto, tive o prazer de apenas dirigir o trabalho. O problema de como conseguir a grana e as liberações de imagens com a televisão ficaram com Gustavo. Quando os produtores me convidaram para dirigir o trabalho logo me vieram na cabeça duas questões básicas. Primeiro: como manter o expectador ligado durante 80 minutos, o tempo de um longa-metragem, num filme sem uma estória ficcional. A outra foi, desde o início, não fazer um filme apenas para gremistas. Em parte a primeira dificuldade foi solucionada já no próprio roteiro que o Eduardo Bueno fez, que tem uma narrativa semelhante a muitas histórias de ficção. Ela começa no tempo do jogo, com a cidade de Porto Alegre completamente vazia, instantes antes do pênalti que selaria o futuro do time. "Desmancha o Grêmio", segundo as palavras do próprio narrador, seria o mínimo para definir o que estava acontecendo nos Aflitos.

"Tive relatos muito confiáveis de que colorados ilustres choraram ao ver o 'Inacreditável'"

A partir daí nossa estória volta ao final de 2004 quando o time vai para a segunda divisão e retoma novamente o tempo do pênalti já no terço final do documentário. É uma bela estrutura que foi contemplada no instante do pênalti com uma edição brilhante feita pelo montador Maurice Hansem. Nota que a decomposição dos 71 segundos que separam a defesa do GALATO e o gol do ANDERSON foi feita a partir de fades, os velhos e bons fades, que dão uma dimensão épica para tempo definido. Tudo na história foi feito para chegarmos àquele momento e ele foi devidamente explorado. Quanto à questão do gremismo na realização do trabalho, achamos que seria impossível disfarçá-la, pois além de toda a equipe ser tricolor fanática, exceção do cinegrafista PATO, nos valemos da máxima de que "fale muito bem da sua aldeia que todos o entenderão". Eu, por exemplo, tive relatos muito confiáveis de que colorados ilustres choraram ao ver o “Inacreditável”, o que evidencia que atingimos pelo menos em parte o nosso objetivo.

2) Qual a relação que você tem como Grêmio?

Minha relação com o Grêmio é histórica. Meu pai, Renato Souza, foi presidente do Clube em 1963/64, época gloriosa do clube. Lembro da primeira partida que assisti, pelo menos o que registra a minha memória, Grêmio x Brasil de Pelotas, final do campeonato gaúcho de 1967. O Gauchão era muito disputado e ganhamos o campeonato com um empate em 1 a 1. Na volta a estrada para Porto Alegre era um mar azul, tenho isso nitidamente na minha memória. Outra partida que não sai da minha cabeça foram os 4 a 0 que aplicamos no Inter na final de 1968. Babá, Joãozinho, Alcindo e Volmir no ataque; no meio de campo, Léo e Sérgio Lopes, um timaço, legítimo 4 2 4. Na final do gauchão deste ano, contra o Juventude, levei o Gui, meu filho, e sentamos exatamente no mesmo lugar que eu sentei naquele Grenal no Olímpico com o meu pai. Me lembrei daquele jogo no ato com um breve ar de nostalgia. O Grêmio faz parte da minha vida.

3) Como foi o processo criativo e qual o ponto de partida?

A idéia inicial do “Inacreditável” foi do Gustavo, que viu naquele fato um enorme potencial para se fazer um documentário. Depois fizemos um trabalho muito coletivo. Como já falei, gosto muito do roteiro do Peninha (Eduardo Bueno) e da edição do Maurice, mas também discutimos muito o filme com os produtores. O dono da TGD, Beto Turckenitz, que obviamente é um gremistão de 4 costados, e a Marga Acioli, produtora executiva, nos acompanharam o tempo todo e nos deram muitas idéias. A trilha, que pontua todo o trabalho e valoriza o clímax com a estilização do hino, é do Lucio Dorfmann. Na realidade o fato é tão marcante que por si ele se impõe na narrativa. Isto fica muito evidente nas entrevistas que fizemos. Ele remete diretamente à emoção.

"Jorge Furtado falou numa entrevista que a Batalha dos Aflitos seria um péssimo roteiro de ficção. Eu concordo"

Eu acho até que podemos comparar o sujeito do documentário, que é o Grêmio, a um personagem épico que é chamado para uma grande batalha. Através da jornada descobre aliados e adversários ocultos. Encara a batalha final com apenas sete homens contra onze na casa do adversário. Um pênalti contra aos 35 do segundo tempo. Heróico ele vence a batalha e volta para a casa com o elixir da imortalidade... Menos, por favor, diriam os meus amigos colorados... Aliás, o Jorge Furtado, também gremista, falou numa entrevista para o Rui Carlos Ostermann que a Batalha dos Aflitos seria um péssimo roteiro de ficção. Eu concordo.

4) O seu filme foi lançado primeiramente em DVD e só depois entrou
em cartaz no cinema. Como se deu isso?


Este documentário é um verdadeiro case de marketing. Ele quebra toda a lógica de produção audiovisual no país. Primeiro porque ele não foi feito através das leis de incentivo, ou seja, foi bancado por recursos privados. Além disso, ele já vendeu mais de trinta mil cópias a preço de mercado num país totalmente dominado pela pirataria. Aliás, no dia seguinte ao que ele foi disponibilizado nas lojas à R$ 29,90, já estava sendo vendido no Centro de Porto Alegre pelos camelôs por R$ 5.

"Acho que o produtor colocou o filme no escuro do cinemas para os colorados poderem chorar mais à vontade"

Quando o Gustavo e o Beto falaram em prensar esta quantia achei que eles estavam delirando. E por fim ele inverteu a lógica de mercado, que é lançar primeiro nos cinemas e depois em locadoras. Na verdade eu acho que o produtor colocou o filme no escuro do cinemas para os colorados poderem chorar mais à vontade.

5) Qual a importância histórica e documental que você atribui ao seu filme?

A importância deste documentário é pelo seu registro histórico. O Brasil não tem a tradição de reter a sua memória e até mesmo de dar importância a ela. Também temos poucos filmes sobre futebol, que é um dos maiores ícones da cultura brasileira. Acredito que este documentário possa incentivar a produção de filmes sobre este tema.
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Grenau

“Inacreditável – a batalha dos Aflitos” se tornou um filme obrigatório para os gremistas e símbolo da recuperação de um dos maiores times do Brasil. Por outro lado, o jogo em que o Grêmio conquistou a Série B de forma heróica também marcou um dos piores momentos da história do Náutico. Os torcedores entraram em uma crise de auto-estima sem precedentes e poucos acharam que o time voltaria a se recuperar.

Mas, um ano depois, lá estava o Náutico entre os quatro classificados para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, com uma irrepreensível campanha em casa. O feito de um time que parecia à beira do abismo e o documentário gremista serviram de inspiração para Carlos Renato, diretor de “Batalha dos Aflitos 2 – a volta por cima”. O filme mostra como o Náutico não se abateu e conseguiu ter calma para superar a tragédia acontecida em seus próprios domínios.

O Extracampo então decidiu convidar Carlos Renato e Beto Souza, diretor de “Inacreditável”, para um bate-bola inédito: Carlos entrevistaria Beto e vice-versa. Hoje publicamos a entrevista que Beto Souza fez com Carlos Renato sobre “Batalha dos Aflitos 2”. Quarta-feira, quando o Grêmio tentará reprisar o feito realizado no Recife contra o Boca Juniors, será a vez da entrevista de Carlos Renato com Beto Souza.

Beto Souza - Depois daquele jogo "INACREDITÁVEL", como ficou a estima da torcida do Náutico?

Carlos Renato - Depois daquele jogo o Náutico mergulhou em uma crise de auto-estima. As imagens que ficaram em minha memória foram as de torcedores rasgando suas camisas, queimando bandeiras, rasgando as carteiras de sócio do clube, apedrejando a sede do Náutico, etc... A revolta era muito grande, a decepção era muito profunda e a dor parecia não ter fim.

"Ouvi um torcedor dizendo que ficou uma semana sem sair de casa, sem ir trabalhar, em depressão"

Para fazer o documentário do Náutico, entrevistei muita gente e ouvi muitos relatos interessantes sobre aquele dia. Ouvi um torcedor dizendo que ficou uma semana sem sair de casa, sem ir trabalhar, em depressão. Ouvi outro dizer que ficou 48 horas mudo, só conseguindo pronunciar a primeira palavra na segunda-feira à noite (o jogo foi no sábado a tarde). Tudo isso mostra que na mesma proporção em que aquele jogo foi inesquecível para os torcedores do Grêmio, foi também para os do Náutico, só que por motivos opostos, infelizmente.

Como tu encarou aquele episódio como torcedor do Náutico?

Eu sou torcedor do Náutico desde que nasci. Minha família é toda alvirrubra e meu pai tem muitos anos de serviços prestados ao Náutico, tanto na área jurídica quanto na sua participação no Conselho Deliberativo, onde já ocupou o cargo de vice-presidente. Além disso, meu irmão hoje é Diretor Jurídico do clube. Nos anos oitenta, eu costumava entrar em campo de mãos dadas com os jogadores, como mascote. Em 1984 lembro-me bem do título pernambucano conquistado em cima do Santa Cruz, em pleno Arruda. O goleiro era Mazzaroppi (ex-Grêmio) e o técnico, o genial Ênio Andrade. Hoje sou conselheiro do Náutico e frequentador assíduo das cadeiras cativas do Estádio dos Aflitos. Porém, quis o destino que naquele fatídico 26 de novembro de 2005 eu estivesse, a trabalho, no Rio de Janeiro. Assisti ao jogo pela TV. Não acreditei no que vi. Desliguei a TV logo que o Grêmio fez o gol e não quis ver o fim do jogo. Sai do hotel e fui tentar arejar a mente no calçadão de Copacabana. Esforço em vão. Naquele dia desliguei o celular e não consegui dormir.

Como ficou a relação da diretoria com a torcida e a imprensa?

Acho que o grande mérito da diretoria do Náutico (que naquele ano teve seu Presidente reeleito para um mandato de mais dois anos) foi não dar ouvidos à imprensa e à torcida, que estava decepcionada demais e muito revoltada. Três dias depois do jogo contra o Grêmio, toda a diretoria e alguns ex-presidentes estavam reunidos para tratar do futuro do Náutico e começar a planejar o próximo ano.

"O grande mérito da diretoria do Náutico foi não dar ouvidos à imprensa e à torcida"

Essa atitude foi determinante para mostrar união em torno de um único objetivo, que era dar a volta por cima. Aos poucos, a relação com a imprensa e torcida foi se normalizando, à medida que os resultados foram aparecendo. Ao contrário do que diziam alguns "profetas" no final de 2005, o Náutico teve todo o apoio de sua torcida em 2006, com o estádio sempre lotado. Para se ter uma idéia, em 2006 o Náutico foi a equipe que mais venceu jogando em casa, sofrendo apenas uma derrota (para o Vila Nova) e dois empates (Coritiba e Paulista).

De alguma forma vocês se basearam no feito do Grêmio para voltar em 2006?

O episódio do Grêmio sem dúvidas serviu para unir ainda mais o Náutico. Mas sinceramente não sei até que ponto podemos afirmar que o Náutico se baseou no feito do Grêmio para conquistar a vaga em 2006. Estou certo de que essa conquista já estava "madura" há alguns anos. Em 2004, o Náutico ficou em 5º lugar no Brasileiro da Série B. Em 2005, o ano do episódio em questão, o Náutico terminou em 3º.

"O episódio do Grêmio sem dúvidas serviu para unir ainda mais o Náutico"

Em 2006 a diretoria deu continuidade ao trabalho sério que vinha fazendo no clube e assim a vaga foi conquistada com muito merecimento e até certa "tranqüilidade", levando em consideração que num campeonato de 38 rodadas, o Náutico entrou no chamado G4 (grupo dos quatro primeiros colocados que garantiriam vaga na Série A do ano seguinte) na sétima rodada e nunca mais saiu. Terminou em 3º, com o mesmo número de pontos do Sport, perdendo a segunda colocação apenas no saldo de gols.

Qual foi o teu argumento principal para realizar o documentário?

A razão para a realização do documentário não foi simplesmente a conquista da vaga para a Série A. Se todos os anos quatro clubes vão subir da Série B para a Série A teremos então quatro documentários produzidos a cada ano? Certamente não! Mas o feito do Náutico tem uma singularidade que talvez só os torcedores do Náutico percebam (e isso ficou muito claro nas expressões e nas atitudes dos torcedores que foram ver o documentário no dia do seu lançamento, nos cinemas do Recife): a volta por cima em tão pouco tempo. A questão não é – repito – o Náutico ter voltado a Série A, mas sim, ter voltado a Série A menos de um ano depois da tragédia que aconteceu nos Aflitos em 26 de novembro de 2005.

"Nenhuma queda ou nenhuma tragédia, por pior que pareça, é capaz de derrotar um clube centenário, glorioso e vencedor como o Náutico"

A volta por cima, apesar de muitos crerem que aquele episódio tivesse representado o "fim" do Náutico; a volta por cima, apesar de tantas camisas rasgadas, bandeiras queimadas; a volta por cima, apesar de tão grande tragédia. Essa conquista merecia um registro, merecia ficar para a história não apenas na lembrança dos que presenciaram toda essa trajetória, mas também para os futuros alvirrubros, para que nunca esqueçam que nenhuma queda ou nenhuma tragédia, por pior que pareça, é capaz de derrotar um clube centenário, glorioso e vencedor como o Náutico.

O que tu achas da produção de filmes e documentários sobre futebol no"país do futebol". Ela é suficiente na tua opinião?

Existe um ditado popular que diz que "em casa de ferreiro o espeto é de pau". Acho que esse ditado responde bem a essa pergunta. O Brasil, conhecido como "o país do futebol", produz muito poucas obras sobre este tema, principalmente na área audiovisual. São muito raros os filmes cujo enredo esteja em torno do futebol, salve alguns filmes biográficos. É bom lembrar, inclusive, que os poucos filmes ou documentários sobre futebol geralmente são feitos sem grandes investimentos e com produções acanhadas. Acho que a indústria cinematográfica no Brasil vive um bom momento, se consolidando como um dos grande pólos da América Latina, mas que ainda não conseguiu "explorar" nas telas a paixão que o brasileiro tem pelo futebol.

Como o Grêmio é visto hoje em Pernambuco?

De uma forma geral o Grêmio é visto em Pernambuco de forma positiva, como um grande time, sempre aguerrido e muito difícil de derrotar. Para os torcedores do Náutico, em particular, o Grêmio ainda traz a lembrança daquele episódio. Mas como o Náutico obteve sucesso logo no ano seguinte o sentimento negativo que poderia ter ficado em relação ao Grêmio evaporou-se. É uma ferida que foi rapidamente cicatrizada. Além do mais, a revolta da torcida naquele jogo nunca foi creditada ao Grêmio, mas sim ao próprio Náutico que teve a vitória nas mãos e ainda assim conseguiu, de forma inacreditável, perder o jogo.

"O Grêmio é visto em Pernambuco como um grande time, sempre aguerrido e muito difícil de derrotar"

Pode até ser que no próximo jogo entre os dois times nos Aflitos este ano tenha um pouco de sabor de "revanche" para a torcida do Náutico, mas de forma muito superficial, acredito eu.
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Batalha dos Aflitos 2



O Náutico agora tem sua "resposta" ao filme "Inacreditável - a batalha dos Aflitos", feito por gremistas para comemorar a realmente incrível volta à primeira divisão.

Mas há uma grande diferença entre as duas histórias. Enquanto o Grêmio protagonizou um milagre em Recife, o Náutico subiu sem grandes sustos, em uma confortável terceira colocação. Eu vi "Inacreditável" e achei um bom documento sobre a ascensão gremista, embora, como um amigo gremista apontou, pareça uma ação entre amigos, com depoimentos de Carlos Gerbase, Fernanda Lima e gente que não é muito relacionada com o Grêmio tradicionalmente.

Já "Batalha dos Aflitos 2 - a volta por cima" me parece um exagero já em sua concepção. Mas, para não cometer injustiças, vou assistir e depois registro minhas impressões aqui. Por enquanto fica a reportagem para os torcedores do Náutico curtirem.

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